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Lançamento dos Livros da Misericórdia do Barreiro

 - 13 de Outubro de 2014-

 

Lançamento dos livros sobre a Misericórdia do Barreiro

Boa tarde a todos.

Antes de mais, permitam-me que comece por saudar os responsáveis pela criação deste magnífico espaço dedicado à memória e ao legado de Armando Silva Pais que, em boa hora, pretende também recriar e homenagear a tertúlia de amigos e intelectuais do concelho que, desde meados da década de quarenta do século passado, começaram a reunir-se, regularmente, no Café Barreiro.

Por estas razões de natureza sentimental e histórica, a escolha deste espaço de cultura para realizarmos o lançamento de duas obras dedicadas à história da Misericórdia do Barreiro deixa-nos profundamente satisfeitos, até porque nos permite recordar, com inteira justiça, a obra assinalável realizada pelo barreirense Armando Silva Pais, tanto como membro dos órgãos sociais da nossa Santa Casa durante onze anos quer como seu Provedor entre 1945 e 1951.

Não deixa de ser muito significativo que tenha sido um dos seus filhos que, passadas várias décadas desde essa época, tenha vindo a viabilizar a publicação destes dois livros em mais um dos gestos de imensa generosidade e altruísmo que tão bem caracterizam o Carlos Silva Pais. Em nome da Misericórdia do Barreiro, permitam-me que expresse ao Carlos e à Berta Silva Pais o nosso sincero reconhecimento por tudo o que a sua família tem feito pelo Barreiro e pela nossa instituição.

Ao Dr. Miguel de Sousa, considerado de forma consensual como um dos intelectuais mais notáveis que o Barreiro produziu na última metade do século XX, deixo também uma palavra de especial apreço e consideração pelo empenho que revelou em tornar possível a concretização destes dois projectos de preservação da nossa memória histórica enquanto comunidade.

Como julgo ser do vosso conhecimento, a ideia de publicar dois livros sobre a história da Santa Casa do Barreiro surgiu no âmbito das comemorações dos seus 450 anos, tendo sido antecedida pela edição de uma obra altamente meritória do Dr. Jorge Morais sobre as catorze obras de Misericórdia.

Num país ancestralmente pobre, as Misericórdia desempenham, há largos séculos, um papel incontornável na preservação do património e na promoção da cultura portuguesa.

Neste período em que tivemos em curso um conjunto de investimentos avultadíssimos e em que a crise que eclodiu em 2008 nos obrigou a ter empenho redobrado no combate ao flagelo da exclusão social, é para nos de enorme importância termos conseguido congregar os esforços e as energias que conduziram à publicação destas duas obras admiráveis da autoria da Dra. Rosalina Carmona e do Dr. José Manuel Silveira Lopes.

Encontro-me, plenamente, convencida que, graças ao vosso esforço e dedicação, será possível aproximar ainda mais a nossa instituição dos barreirenses, dando a conhecer a um universo crescente de pessoas a importância que a Santa Casa do Barreiro teve, em tantos momentos conturbados, da história do país.

Ao meu querido amigo Silveira Lopes, deixo uma palavra final de enorme admiração e compreensão pelo rigor que colocou no seu livro, sobretudo por ter tido que lutar com uma enorme escassez de fontes para reconstituir a história contemporânea da Misericórdia do Barreiro.

Julgo que esta é uma lição que todos devemos assimilar, de forma a evitar que, no futuro, a areia do tempo possa apagar ou mitigar a acção abnegada de tantos homens e mulheres que, de forma mais ou menos anónima, decidiram servir a causa maior da humanidade através da nossa Santa Casa.

Em plena II Guerra Mundial, o escritor francês Albert Camus publicou um ensaio filosófico sobre o mito de Sísifo e a sua ligação irredutível ao aparente absurdo da existência perante os desastres da história e a proliferação das injustiças.

Esta enorme fragilidade da condição humana aparece exemplarmente retratada nos dois livros da Dra. Rosalina Carmona e do Dr. Silveira Lopes, com o seu riquíssimo cortejo de nomes e de projectos que constituem o maior património da Misericórdia do Barreiro.

Mesmo que observados individualmente, todos estes gestos de amor ao próximo remetem-nos para a dimensão redentora da compaixão, da solidariedade e da fraternidade.

Acredito, convictamente, que a felicidade que nos é permitida consiste em recomeçarmos, mesmo que, por vezes, nos pareça sem esperança, este combate pelos valores da dignidade e da justiça.

Muito obrigada, Rosalina e José Manuel, pelo bem que fizeram pela nossa Santa Casa.

 

A Provedora,

Sara Xavier de Oliveira

 

José Manuel da Silveira Lopes - Misericórdia do Barreiro, 1900-2012

Rosalina Carmona - Misericórdia do Barreiro, Sec XVI a XIX

Intervenção da Provedora, Sara Xavier de Oliveira

 Jantar 454 Anos da Misericórdia do Barreiro - 10 de Outubro de 2014

Boa noite.

Permitam-me que comece por cumprimentar Vossa Excelência Reverendíssima, o Sr. Bispo de Setúbal Dom Gilberto Canavarro dos Reis e expressar publicamente o nosso reconhecimento e profunda admiração pelo trabalho notável que tem desenvolvido na Diocese de Setúbal.

Na pessoa do Sr. Presidente da Câmara do Barreiro, o meu amigo Carlos Humberto, endereço uma palavra de especial apreço a todos os autarcas do concelho presentes neste jantar.

 

Gostaria também de referir a presença dos membros dos órgãos sociais da Misericórdia do Barreiro, saudando-os na figura do Sr. presidente da nossa Assembleia Geral, Dr. Alves Pereira, ilustríssimo advogado radicado no Barreiro há  várias décadas e homem que nos inspira com a generosidade e a honradez tão características das suas raízes arcuenses e minhotas.

De igual modo,saúdo os Srs provedores de outras misericórdias que nos deram o privilégio de nos acompanharem, na noite de hoje.

Com o mesmo espírito de partilha fraterna, envio um abraço pleno de emoção e admiração aos trabalhadores e voluntários que, diariamente, contribuem com o seu esforço e dedicação para a cintilante obra de amor ao próximo que, há mais de quatro séculos, é construída por aqueles que dão tanto de si à nossa Santa Casa.

Neste jantar de comemoração dos 454 anos de existência da Misericórdia do Barreiro, permitam-me que agradeça a todos os nossos amigos que fizeram questão de marcar presença confirmando, assim, a confiança que depositam nesta instituição. Agradeço, também, a todas a Entidades que se associaram a esta cerimónia e que através dos seus donativos contribuíram para a sua realização com o sucesso, que está à vista de todos nós.

Esta é a maior prova da vitalidade da nossa organização. Peço-vos que nos continuem a ajudar e a apoiar.

Na exortação apostólica que nos dirigiu em Novembro do ano passado, o Papa Francisco colocou-nos perante o enorme objectivo de regressarmos à “solidariedade desinteressada” e “a uma ética dimensionada ao ser humano”.

É precisamente neste desafio fraterno e solidário que podemos enquadrar os compromissos a que nos vinculam as catorze obras de  Misericórdia.

Combater a pobreza, assistir na doença, amparar a infância desvalida e acarinhar a solidão dos idosos representam a nossa única prioridade e missão.

Numa época em que assistimos à mercantilização de tantas coisas e à hegemonia das lógicas de mercado, o único lucro que procuramos ter é reparar, à escala humilde das possibilidades que temos, as injustiças que não têm parado de crescer à nossa volta.

Como é do conhecimento público, as comemorações dos 454 anos da Misericórdia do Barreiro coincidem com o culminar de um dos mandatos mais exigentes dos seus órgãos sociais.

Desde logo, porque em Junho de 2012 fomos confrontados com o desaparecimento físico do Provedor Júlio Freire, verdadeira força motriz do desenvolvimento da nossa instituição ao longo das últimas décadas.

Para nos apercebermos da amplitude e envergadura do legado do Provedor Júlio Freire, basta recordarmos que, nos anos noventa, a Misericórdia do Barreiro tinha um orçamento que rondava os 400 mil  euros e que contava com menos de 100 trabalhadores, enquanto que, neste momento, o nosso orçamento já ultrapassa largamente a fasquia dos 5 milhões de euros e temos um quadro de pessoal que ascende a cerca de 300 pessoas.

Estes números impressionantes só fazem sentido quando os percepcionamos numa lógica de investimento social e temos a noção da sua ligação à qualidade de vida de uma comunidade.

Para tentar ilustrar melhor esta realidade, dirijo-vos o desafio de tentarem imaginar de como seria o Barreiro sem a existência da nossa Santa Casa.

Reflictamos, em conjunto,como seria a vida dos mais de quinhentos utentes que, de forma diária, dependem da Misericórdia do Barreiro para preservar a dignidade das suas vidas.

Pensemos nas suas famílias, compostas por largos milhares de pessoas, e em como conseguiriam lidar com a situação frágil e precária em que, na grande maioria dos casos, se encontram os seus entes queridos.

Foi este imperativo de consciência que fez com que o Dr. Júlio Freire tenha, contra a opinião de uma minoria de cépticos, decidido avançar, nos seus últimos mandatos, com um conjunto de investimentos que ficaram próximos dos dez milhões de euros.

No decurso do atual mandato, recordamos a entrada em funcionamento da Creche Rainha Dona Leonor, da Unidade de Cuidados Continuados Provedor Júlio Freire e as obras de grande dimensão que foram realizadas no Centro de Acolhimento, nos Lares de Nossa Sra. do Rosário e de São José, na Comunidade de Inserção, na Fisioterapia e na Cozinha da Santa Casa.

Já na parte final deste mandato, estamos a concluir a renovação da nossa frota automóvel que se encontrava muitíssimo envelhecida e a continuar o investimento na qualidade dos serviços que prestamos a quem nos procura. Neste momento, é com enorme satisfação que podemos afirmar que todas as nossas respostas sociais contam com apoio médico, cuidados de enfermagem, acompanhamento nutricional e psicológico, tudo isto muito para lá do que temos protocolado com o Estado português.

A curto prazo, pretendemos ainda abrir a totalidade das camas dos Cuidados Continuados que continuam a aguardar despacho do actual governo, assim como alargar em mais vinte e cinco camas a capacidade do Lar de São José, dando a resposta, ainda que parcial, às mais de mil pessoas que se encontram, atualmente, em lista de espera.

Com a ajuda de todos os que gostam da Misericórdia do Barreiro, temos conseguido cumprir estes objectivos respeitando escrupulosamente os compromissos bancários, honrando, sem excepção, as obrigações com os trabalhadores e diminuindo em muitas centenas de milhares de euros as dívidas a fornecedores.

Por tudo isto que enunciei, peço-vos permissão para agradecer, de modo muito caloroso e fraterno, aos membros da Mesa Administrativa que me acompanharam neste mandato.

Apesar dos constrangimentos que afetam a economia nacional, conseguimos estabilizar a situação financeira da instituição, permitindo agora, que todas as respostas sociais avancem em passos harmoniosos, conducentes ao seu bom funcionamento.

Sem o trabalho voluntário e desinteressado do Dr. José Engrossa  do SR. Luís Correia, do Sr. João Fraga e do Dr. Mário Vaz tenho a convicção sincera de que não teríamos chegado tão longe na nossa missão.

Com um enorme sentimento de admiração e reconhecimento, gostaria ainda de salientar o Sr. Manuel Cerqueira que foi a força motriz deste jantar e que, como tesoureiro da Misericórdia do Barreiro, discute até à exaustão cada cêntimo que é gasto pelos nosos serviços e pelas respostas sociais.

A tua família e a minha querida amiga Irene que me perdoem, mas quero muito que me acompanhes no meu próximo mandato.

A todos que compareceram neste jantar, peço-vos um último favor. Continuem a ajudar-nos e a apoiar a Misericórdia do Barreiro.

Visitem-nos sempre que queiram, começando, desde já, pela magnífica exposição de pintura da D. Emília Engrossa que se encontra patente nos átrios da Unidade de Cuidados Continuados e do Lar de São José.

Continuem a acreditar que, à nossa escala humilde, todos podemos fazer a diferença que traz esperança a quem desespera e conforto a quem sofre.

Mesmo nos tempos complexos em que nos encontramos a viver, mantenham acesa a luz da humanidade.

Que a padroeira das Misericórdias, a Senhora do manto largo, nos permita chegar ainda mais longe e a mais pessoas que venham a precisar da Misericórdia do Barreiro.

Muito obrigada pelo vosso apoio, e por tudo o que nos ajudam a fazer,pois só assim nos é possível sem angústias e sem pressas… no caminho do futuro,  concretizar o ensinamento do poeta  Torga, que passo a citar: «enquanto não alcances, não descanses. De nenhum fruto queiras só metade».

454º Aniversário - Jantar Comemorativo

Intervenção da Provedora, Sara Xavier de Oliveira

 Aniversário 454 Anos da Misericórdia do Barreiro - 7 de Outubro de 2014

 

Boa tarde.

Começo por cumprimentar os restantes membros dos órgãos sociais que se encontram presentes nesta cerimónia, assim como todos os trabalhadores e os voluntários da Misericórdia do Barreiro que nos acompanham na tarde do dia de hoje.

Dirijo também uma palavra de especial apreço e elevada consideração aos familiares do Provedor Júlio Freire, em particular à Professora Manuela Martins e aos seus dois filhos, Cláudia e Luís Freire.

Por um acaso em que o destino dos homens costuma ser fértil, no dia em que a Misericórdia do Barreiro assinala os seus 454 anos de existência, o Dr. Júlio Freire completaria o seu septuagésimo sétimo aniversário, numa trajectória de vida totalmente preenchida pela enorme riqueza humana de estar ao serviço dos mais desfavorecidos.

Este é provavelmente o traço da sua personalidade que melhor recordamos e o grande legado que nos cabe, agora, honrar.

Ninguém duvida que, sem este inconformismo resiliente, a Misericórdia do Barreiro seria, actualmente, bastante diferente. Foi esta vontade férrea que nos permitiu passar, na década de noventa, de um orçamento que rondava os 400 mil euros para um valor que, no próximo ano, ultrapassará largamente a barreira dos 5 milhões de euros.

Estes números impressionantes só fazem sentido quando temos a noção concreta de que são indissociáveis da criação de largas centenas de novos postos de trabalho e do alargamento das respostas desta Santa Casa em domínios tão distintos como o apoio à infância, aos idosos, no combate à exclusão social e, mais recentemente, com o nosso regresso à área da saúde.

Como todos nos recordamos, mesmo este projecto magnífico dos Cuidados Continuados só se tornou possível através da determinação e do optimismo inquebrantáveis que sempre caracterizaram o nosso inesquecível amigo Júlio Freire.

Estamos convencidos que a melhor homenagem que podemos prestar à sua memória é continuar um trabalho mais do que meritório, consolidando os alicerces financeiros da instituição, respeitando integralmente os direitos dos nossos trabalhadores e valorizandos a qualidade dos serviços que prestamos aos nossos utentes.

Estes dois anos que decorreram desde o desaparecimento físico do Dr. Júlio Freire têm-nos apresentado momentos de muitas dificuldades e de grandes provações.

A perseverança com que o nosso Provedor venceu as agruras de uma infância pobre, a forma corajosa como sempre resistiu aos calabouços da PIDE, a sua enorme dedicação à causa pública é a tenacidade como enfrentou a doença traiçoeira que o veio a vitimar personificam um exemplo que nos deve inspirar mesmo nas épocas mais complexas.

Mesmo que a poeira dos tempos pareça, por vezes, prevalecer sobre a memória dos homens, existem histórias de vidas que tocam em tanta gente e de tantas formas que nada as consegue apagar.

Obrigada, Júlio, por tudo o que fizeste pelo Barreiro e pela nossa Misericórdia.

 

7 de Outubro de 2014

Sara Xavier de Oliveira

(Provedora)

Aniversário "454 Anos" - 7 de Outubro

Obras da Misericórdia (D. Emília Engrossa) - 7 de Outubro de 2014

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