Bem-vindo à Irmandade da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro!

Ao longo dos seus quatrocentos e cinquenta e quatro anos de existência (7 de Outubro de 1560), a Misericórdia do Barreiro ancorou a sua área de intervenção prioritária no apoio solidário e fraterno aos segmentos mais fragilizados da comunidade. Sem qualquer tipo de distinção religiosa ou ideológica, esta Santa Casa representou sempre um porto de abrigo para todos os barreirenses que nos procuram em momentos de aflição e sofrimento, nunca sendo negado o pão ou o calor humano a quem deles mais necessita.

Mais do que um conjunto de mandamentos teóricos para tranquilizar as consciências inquietas, as catorze obras de misericórdia tomaram corpo na ação das mulheres e dos homens que, durante estes mais de quatro séculos de história da nossa instituição, estiveram ao serviço da causa maior da dignidade humana. Dar de comer a quem tem fome, assistir aos enfermos ou consolar os aflitos é um imperativo de consciência que nos vincula perante o desconcerto e as injustiças do mundo. Temos plena consciência de que não conseguimos chegar a todos os casos que nos procuram, mas nunca desistimos de continuar a alargar o âmbito do trabalho que desenvolvemos.

A Misericórdia do Barreiro é, neste momento, o maior empregador privado do concelho, com um número de trabalhadores muito próximo das três centenas, assim como presta apoio diário a mais de quinhentos utentes distribuídos pelas suas diferentes respostas sociais. A Creche Rainha D. Leonor, o Centro de Acolhimento, a Unidade de Cuidados Continuados Provedor Júlio Freire, o Lar N. Sra. do Rosário, o Lar de São José, o Centro de Dia, o Serviço de Apoio Domiciliário e a Comunidade de Inserção constituem elementos primordiais de um universo onde o sentido de caridade e solidariedade nunca devem deixar de estar presentes.

Nas palavras sempre sábias do Papa Francisco, interessa-nos praticar “a solidariedade que obriga a olhar o outro” e a “a caridade que não seja um mero assistencialismo, mas antes um ato de amor”. Este é o desafio que, com humildade e sentido de discrição, os trabalhadores, os voluntários e os membros dos órgãos sociais desta Santa Casa entenderam abraçar, sobretudo nesta época conturbada em que nos coube viver e em que, mais do que nunca, faz sentido partilhar o sonho de um futuro justo com quem nos rodeia.

Provedora

Sara Xavier de Oliveira

(2018)

 
 
 
 
Consulte na nossa página em "Serviços Técnicos" a nossa Sala Snoezelen, serviço este que também está disponível á popoluação em geral, simplesmente efetuando marcação nos respectivos contatos.
 
 

 

 

 

 

(2017)

 
 
Marchas Populares SCMB (2016)
 
 
 
MENÇÃO HONROSA - PRÉMIO BPI
 
 
 
 
 
Marchas Populares SCMB (2015)
 
 
 
 
Tomada de Posse dos Novos Orgãos Sociais
 
 
 
 
 

Discurso "Provedora Sara Xavier Oliveira":

 

"Boa noite a todos.

Começo por agradecer a vossa presença na tomada de posse dos órgãos sociais da Misericórdia do Barreiro para o próximo quadriénio. É muito reconfortante que, numa noite tão fria, tanta gente boa tenha decidido juntar-se a nós nesta cerimónia.

Permitam-me que faça algumas referências particulares que me parecem ser de inteira justiça e que adquirem um significado muito especial para a instituição que representamos.

Em primeiro lugar, cumprimento o Sr. Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, o nosso amigo Carlos Humberto, sublinhando a boa relação e cooperação que sempre temos conseguido cultivar.

De igual modo, dirijo uma palavra de grande apreço e consideração pessoal ao Sr. Padre Rodrigo Mendes aqui presente na dupla condição de representante do Sr. Bispo da Diocese de Setúbal D. Gilberto Canavarro e de irmão da Misericórdia do Barreiro, casa onde tem prestado importantes e relevantes serviços à nossa comunidade.

Na impossibilidade da Sra. Diretora do Centro de Distrital da Segurança Social, a Professora Clara Birrento, gostaria também de saudar a Dra. Maria José Monteiro que é, como muitos sabem, uma visita muito frequente e muito bem-vinda à nossa Santa Casa.

Na pessoa do Dr. Cardoso Ferreira, gostaria de sublinhar o grande apoio e a excelente colaboração que sempre temos recebido por parte da União das Misericórdias Portuguesas. Como é do vosso conhecimento, o Dr. Manuel de Lemos tem prestado um importante contributo para o desenvolvimento da Misericórdia do Barreiro e nunca é demais prestar-lhe o devido reconhecimento por todo o bem que nos tem ajudado a fazer.

Aos senhores Provedores presentes nesta cerimónia, endereço um abraço fraterno, com a consciência plena dos enormes desafios que temos pela frente num momento histórico em que grassam as mais flagrantes injustiças e as desigualdades sociais têm aumentado exponencialmente.

Ao Dr. Alves Pereira, Presidente da nossa Assembleia Geral, quero expressar o mais profundo agradecimento por nos continuar a prestigiar com a sua amizade e apoio, assim como agradeço, de forma muito efusiva, aos membros dos órgãos sociais que, na noite de hoje, tomam posse.

Caros irmãos, todos temos a perceção exata do difícil caminho que tivemos que percorrer para alcançar o nível de desenvolvimento da instituição, mas não devemos nunca deixar de ter em mente a enorme fragilidade e precariedade que, normalmente, caracterizam as obras humanas.

No programa de acção que apresentámos às eleições do passado mês de Dezembro, definimos um conjunto de objectivos muito claros e ambiciosos que vamos fazer questão de cumprir ao longo do próximo quadriénio. Conto convosco para percorrermos, solidariamente, a longa estrada que agora começamos a calcorrear.

Aos trabalhadores e voluntários da Misericórdia do Barreiro e aos barreirenses em geral que decidiram comparecer nesta cerimónia, gostaria que me permitissem agradecer e reconhecer publicamente o vosso meritório esforço e grande apoio que desenvolvem em prol dos mais desfavorecidos e dos nossos irmãos que se encontram em situação de sofrimento.

Peço-vos que continuem ao nosso lado e que transmitam a um número cada vez maior de pessoas a importância e o carácter vital da Misericórdia do Barreiro para o desenvolvimento e a qualidade de vida do próprio concelho.

Não foi há muito tempo que a nossa Santa Casa tinha um orçamento que rondava os 400 mil euros e empregava menos de cem pessoas.

Só para termos a noção do que foi possível alcançar num período relativamente curto, gostaria de vos transmitir alguns números que testemunham o nosso crescimento impressionante e que permitem perceber até que ponto a Misericórdia é uma instituição incontornável na cidade do Barreiro.

A 31 de Dezembro de 2014, temos um número de trabalhadores muito próximo das 300 pessoas, apoiamos, diariamente, mais de 600 utentes e o nosso orçamento caminha, a passos largos, para um valor que ronda os seis milhões de euros.

Estes números impressionantes só fazem sentido quando os encaramos numa lógica de investimento social e temos a noção da sua ligação à qualidade de vida de uma comunidade.

Coloco-vos perante o desafio de imaginarem o que seria o quotidiano de inúmeras famílias sem esta Santa Casa. Que presente e que futuro estariam reservados para as nossas crianças e idosos sem o porto de abrigo que encontram na nossa instituição? Que esperança poderiam acalentar as várias centenas de barreirenses que, ao longo dos últimos anos, passaram pela nossa Comunidade de Inserção e Cantina Social, encontrando nestas respostas sociais o pão e a justiça que os enigmáticos mercados financeiros insistem em roubar-lhes?

O nosso grande esforço nos últimos anos consistiu em assegurar a sustentabilidade financeira e a viabilidade da instituição. Em todos os indicadores, felizmente, temos vindo a observar melhorias muito assinaláveis.

Mesmo com um ciclo de investimentos que ficou muito próximo dos dez milhões de euros, conseguimos, graças a uma gestão muito rigorosa, reduzir em muitas centenas de milhares de euros as dívidas a fornecedores e respeitar, sem uma única falha, os compromissos bancários contratualizados com a entidade bancária que se assumiu como nossa parceira.

No entanto, permitam reforçar aquela que tem sido uma das nossas principais preocupações. Em momento algum, deixámos de cumprir escrupulosamente as obrigações que estipulámos com os trabalhadores da Misericórdia do Barreiro. Não temos um único salário, pagamento de trabalho suplementar ou subsídio em atraso. E assim continuaremos enquanto eu for Provedora. Faço desta questão ponto de honra.

Quem tanto trabalha, quem tanto se sacrifica para proteger vidas e acarinhar quem sofre merece ser tratado com respeito e dignidade.

Infelizmente, vivemos em sociedades que remuneram principescamente os futebolistas, os actores e os banqueiros sem que se olhe com a devida atenção para quem constitui um dos pilares das nossas instituições.

Como já vos transmiti noutras ocasiões, mesmo com todo o rigor orçamental com que gerimos a Misericórdia do Barreiro nunca deixámos de continuar a investir, procurando ajudar um número cada vez maior de pessoas e melhorar a qualidade das respostas sociais que já temos em funcionamento.

Neste últimos anos, conseguimos renovar a quase totalidade da nossa frota automóvel, concluímos as obras de recuperação do Centro de Acolhimento “O Palhacinho” e investimos na qualificação dos recursos humanos das respostas sociais.

Neste momento, todos os nossos lares contam com cuidados médicos, de enfermagem, apoio psicológico e acompanhamento nutricional. Tudo isto numa dimensão muito superior ao que o estado português tem protocolado connosco.

Com a abertura recente da Unidade de Cuidados Continuados Provedor Júlio Freire, regressámos à área da saúde, naquele que era um desígnio que acalentávamos há várias décadas e que nos permitiu responder a uma necessidade mais do que evidente da nossa região.

Quem está presente nesta cerimónia sabe que não sou uma mulher de queixumes ou de recriminações. Porém, não posso deixar de referir que, passado este tempo todo, ainda não temos a certeza de que conseguiremos abrir, ainda este ano, as 20 camas que nos faltam para concluir este projecto.

Por mais que nos custe a aceitar, o prolongamento desta situação está a comsumir-nos largas centenas de milhares de euros, provavelmente até milhões de euros, além de que estão alguns milhares de pessoas e famílias em lista de espera na região de Lisboa e Vale do Tejo para uma resposta em que temos todas as condições para proporcionar condições com enorme qualidade e conforto.

Como nem tudo são más notícias nos tempos que correm, é com grande satisfação que vos posso informar que, desde os últimos dias de 2014, a Misericórdia do Barreiro abriu o Lar Nossa Senhora das Misericórdias, com capacidade para 25 novos utentes. Graças à colaboração do Centro Distrital da Segurança Social, foi possível conseguir que 19 destas novas vagas fossem comparticipadas, o que nos vai permitir - nem que seja de modo muito parcial - responder às necessidades dos mais de mil idosos que se encontram inscritos nos serviços da instituição.

 

Parece-me ser apropriado aproveitarmos esta ocasião que deve ser de festa e de esperança no futuro para reflectirmos um pouco sobre a situação dramática em que vivem estas pessoas.

Como julgo ser do vosso conhecimento, o concelho tem um índice de envelhecimento da população muito preocupante, sem que exista uma capacidade de resposta social instalada, minimamente, adequada às necessidades existentes.

Precisamos, urgentemente, que nos permitam ir mais longe e atender a um maior número de problemas desta natureza. É bom que nos lembremos que muitos destes seres humanos se encontram com situações de Alzheimer muito avançado, sofreram AVC´s profundos ou que vivem completamente isolados numa idade avançada.

Como nos ensinou a vida do Provedor Júlio Freire, não nos conformamos com a miséria e o sofrimento alheio.

Temos a obrigação ética e o dever moral de salvar mais vidas. Assim, saibam os poderes públicos estar à altura deste desafio.

O mandato que agora iniciamos é dos mais complexos e difíceis da nossa história contemporânea.

A crise que, em 2008, atingiu o epicentro das sociedades ocidentais parece não ter fim à vista e o inverno demográfico que nos encontramos a atravessar tende a agravar-se.

Mesmo assim, assumo na vossa presença o compromisso de assegurar a sustentabilidade e a viabilidade da Misericórdia do Barreiro, assim como procuraremos consolidar os caminhos seguros que temos vindo a trilhar.

Nos próximos quatro anos, iremos concluir o ciclo de investimentos que iniciámos. Desde logo, vamos estabelecer como uma das prioridades investir nos lares, procurando aproveitar o próximo quadro comunitário de apoio para realizar um conjunto de obras que consideramos indispensáveis à prossecução dos compromissos a que nos encontramos obrigados.

Temos, neste momento, em fase de conclusão uma proposta de formação profissional para os nossos trabalhadores extremamente ambiciosa e que, no cômputo geral, atinge um valor muito próximo das 9 mil horas e que decorrerá nos próximos dois anos.

Concluídas estas etapas, pretendemos avançar com a certificação das nossas respostas sociais, incrementando os factores de qualidade que já constituem um dos nossos factores competitivos no contexto do Distrito de Setúbal.

Conforme já referi, nunca deixaremos de ter no horizonte as oportunidades que surjam para o alargamento das nossas valências, com particular ênfase nas direccionadas aos idosos e à população carenciada.

A este propósito, é fundamental nunca perdermos de vista a dimensão assustadora que o flagelo do desemprego atingiu no concelho do Barreiro e que, de acordo com os dados disponíveis, temos vários milhares de pessoas em situação de privação alimentar grave.

Também nesta área não nos vamos conformar com tudo aquilo que já fazemos e pretendemos encontrar respostas mais abrangentes e inovadoras para estes problemas.

Este é um combate que reconhecemos, de antemão, ser muitas vezes inglório. Mas não nos resignamos perante a miséria e o sofrimento dos nossos semelhantes.

Como escreveu há várias décadas o escritor francês Albert Camus há uma peste que atingiu o coração das sociedades europeias. Este vírus chama-se indiferença e vitima, há demasiado tempo, gente inocente.

Nas palavras deste prémio nobel francês, saibamos prestar “o testemunho do que é necessário fazer contra o horror do sofrimento e a injustiça”. Reaprendamos também que, “no meio dos maiores flagelos, descobrimos sempre que há nos homens mais coisas a admirar e a preservar do que a desprezar”.

Que não nos faltem as forças para percorrermos o caminho que temos pela frente e que a Senhora das Misericórdias ilumine a estrada que ainda nos falta calcorrear.

Obrigada pela vossa presença e apoio que esperamos continuem a ser constantes."

 

Marchas Populares SCMB (2015)